UMA FOTOGRAFIA GIGANTE DE LIZ TAYLOR

Bebo o meu café como qualquer um
mas as imagens são diferentes.
Aquele pensa em qualquer coisa
                                                  e eu penso
em qualquer coisa, e a Liz Taylor sempre a sorrir.
Se há coisa que ainda valha a pena, então


é isto.
A espiral de um caracol de cabelo e
o frisado natural dos


pêlos púbicos
como eles se enroscam frisados
nos meus sonhos - já é


                                              tarde.
E a Liz Taylor continua a sorrir
para mim. Que é isto? Admitamos que


não é nada
que valha a pena: então o que resta no fim é isso,
depois de eu acabar de beber o meu café.



in O Cinema em Palavras de Rolf Dieter Brinkmann..
Selecção, Tradução e Posfácio de Judite Berkemeier e João Barrento.
Fenda, Julho de 1995.