mas ao olhar para a fotografia, senti curiosidade (...)
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Na recepção do hotel entregaram-me as chaves do quarto e um envelope. Dentro dele vinha a fotografia onde se via um grupo de seis sujeitos de bom aspecto, jovens, todos entre os trinta e os quarenta anos, bastante parecidos uns com os outros; mas o único que me interessava era o que tinha a cabeça rodeada por um círculo desenhado a marcador. A encomenda era aquele, e não gostei do tipo. Havia também uma legenda que dizia: "Terceiro Encontro de Organizações Não-Governamentais, ONG". Também não gostei. Nunca gostei dos filantropos, e aquele tipo fedia a filantropia moderna. Um mínimo de ética profissional proíbe que se pergunte que fizeram os tipos a liquidar, mas ao olhar para a fotografia, senti curiosidade, e isso incomodou-me. Dentro do envelope não vinha mais nada, e era assim que devia ser. Tinha de começar a familiarizar-me com aquele rosto, a observar os pormenores reveladores da sua força ou da sua fraqueza. O rosto humano nunca mente; é o único mapa que regista todos os territórios que habitámos.
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in Diário de um killer sentimental de Luis Sepúlveda..
Tradução de Pedro Tamen.
Edições ASA, 9.ª edição, Janeiro de 2006.