Gosto disto aqui, Kingsley Amis

Gosto de isto aqui de Kingsley Amis

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A porcaria do dinheiro, o raio dos bilhetes e coisas surgidas depois, tinham sido resolvidos de forma satifatória, e até honrosa. As fotografias para o passaporte tinham dado a Bowen a oportunidade de se comportar como uma personagem de Somerset Maugham, ao comparar a fotografianova com a que
tinha tirado para a sua única viagem anterior enquanto civil, em 1946. Um grupo que incluía Bárbara, que nessa altura ainda não era mulher de Bowen (na verdade era a namorada de alguém muito diferente), tinha passado três semanas em Remiremont, nos Vosges, em grande parte porque era o único lugar de França de que tinham ouvido falar fora do âmbito das colunas de história, de geografia e de mexericos. A comida era óptima e Bowen tinha cortado o cabelo na aldeia, como o faria qualquer francês.
A comparação das fotografias revelara-se valiosa e interessante. O rapaz da foto de 1946 olhara para Bowen com uma sensibilidade petulante e com a cabeça de lado. Vestia um fato enxovalhado e parecera quase a pronto de perguntar a Bowen por que não era ele um pacifista, ou o que pensava de Aaron’s Rod. O Bowen de 1956 tinha o dobro da largura tinha um pouco o ar de um pivot de televisão. A sua pergunta sobre o Aaron’s Rod teria sido sobre a quantidade de dinheiro que quem quer que o escrevera tinha ganho. Era estranho como podiam ser tão diferentes e no entanto parecerem exactamente o género de homem que ele menos gostaria de encontrar ou de ser.
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in “Gosto disto aqui” de Kingsley Amis
Título original: I Like It Here
Tradução de Maria Helder Valério
Edições Cotovia, Lda., Lisboa, 1990


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