Mar 6 2010

Gosto disto aqui, Kingsley Amis

Gosto de isto aqui de Kingsley Amis

(…)
A porcaria do dinheiro, o raio dos bilhetes e coisas surgidas depois, tinham sido resolvidos de forma satifatória, e até honrosa. As fotografias para o passaporte tinham dado a Bowen a oportunidade de se comportar como uma personagem de Somerset Maugham, ao comparar a fotografianova com a que
tinha tirado para a sua única viagem anterior enquanto civil, em 1946. Um grupo que incluía Bárbara, que nessa altura ainda não era mulher de Bowen (na verdade era a namorada de alguém muito diferente), tinha passado três semanas em Remiremont, nos Vosges, em grande parte porque era o único lugar de França de que tinham ouvido falar fora do âmbito das colunas de história, de geografia e de mexericos. A comida era óptima e Bowen tinha cortado o cabelo na aldeia, como o faria qualquer francês.
A comparação das fotografias revelara-se valiosa e interessante. O rapaz da foto de 1946 olhara para Bowen com uma sensibilidade petulante e com a cabeça de lado. Vestia um fato enxovalhado e parecera quase a pronto de perguntar a Bowen por que não era ele um pacifista, ou o que pensava de Aaron’s Rod. O Bowen de 1956 tinha o dobro da largura tinha um pouco o ar de um pivot de televisão. A sua pergunta sobre o Aaron’s Rod teria sido sobre a quantidade de dinheiro que quem quer que o escrevera tinha ganho. Era estranho como podiam ser tão diferentes e no entanto parecerem exactamente o género de homem que ele menos gostaria de encontrar ou de ser.
(…)

in “Gosto disto aqui” de Kingsley Amis
Título original: I Like It Here
Tradução de Maria Helder Valério
Edições Cotovia, Lda., Lisboa, 1990


Fev 21 2010

Cornell Woolrich

26 grandes mestres da literaura policial, Ross Pynn antologia policial

(…)
O Mike’s Tavern, às nove e trinta da manhã, não tinha um aspecto muito social. Na verdade, não seria muito convidativo, mesmo que não houvesse ocorrido ali havia pouco tempo
um crime de morte. À sua frente estava parado um carro da polícia. E da figura inequívoca e levemente repulsiva de um rabecão, saía em parte, como uma língua avarenta, um ataúde. Havia um pequeno ajuntamento de curiosos, que um único guarda civil dividia em dois grupos, abrindo uma larga passagem à entrada. O interesse dos espectadores não era grande e, quando Burgess chegou, declinava visìvelmente. Era a hora de pegar ao serviço.
Um segundo guarda deteve-o logo que ele entrou na taberna. Burgess exibiu a sua carteira de jornalista, mas o guarda continuou a bloqueá-lo.
– Dê um jeitinho amigo – disse Burgess, lisonjeiro.
– Vou ver o que ele diz – condescendeu o guarda.
Mergulhou a cabeça e um ombro no interior do bar. e tornou a retirá-los.
– Ele diz que está bem – anunciou.
Burgess entrou. Lá dentro estava tão sombrio e depressivo como só nos interiores desses lugares podem ser àquela hora. Havia uma porção de homens, mas não estavam a beber e a sua presença não contribuía para animar o recinto. Pequenas vidraças coloridas – vermelho, azul e verde – davam à claridade exterior um aspecto de crepúsculo. Estavam acesas duas lâmpadas fortes; sem elas, teria sido impossível ver alguma coisa para quem viesse da rua. Na parede, um grande relógio anunciava 9,32 horas. O indicador da caixa registadora marcava 20 cents. Um detective disse:
– Bem agora afastem-se e deixem-me fotografar os copos.
Havia dois copos solitários, abandonados em cima do balcão, no lado dos fregueses; e estavam bastante próximos, como se os desaparecidos clientes se tivessem sentado em bancos contíguos. Havia também um homem de gatas em cima do balcão, como um macaco; focava uma espécie de câmara fotográfica sobre a estreita passagementre o balcão e a parede. Fez-se um clarão azulado e em seguida o homem voltou-se e saltou para o lado de fora do balcão. Passou a visar os copos, baixando-se até ficar ao nível deles. Outro clarão. Em seguida ergueu o busto e foi-se embora.
(…)

in “O Repórter” de Cornell Woolrich.
“26 grandes mestres da literaura policial, Ross Pynn antologia policial”, Editorial Ibis, Lda, Maio de 1963.


Fev 21 2010

Dashiell Hammett

26 grandes mestres da literaura policial, Ross Pynn antologia policial

(…)
– Já viu esta arma alguma vez?
Ela concordou baixando a cabeça loura.
– Vi! É a pistola de Herb, ou muito igual.
Dean guardou de novo o revólver, e nós levantámo-nos.
– Como é que eu fico agora? – perguntou ela. – Não vão levar-me como testemunha ou qualquer coisa assim, pois não?
– Agora, não – garantiu-lhe Dean. – Fique aqui, onde possamos encontrá-la se precisarmos, e não terá aborrecimentos. Tem alguma ideia da direcção que Whitacre tomou?
– Não.
– Gostávamos de dar uma olhadela por aqui. Dá licença?
– Sigam em frente – convidou ela. – Façam o apartamento em picadinho, se quiserem. Eu vou acompanhá-los.
Não encontrámos nada de valor. Whitacre, quando queimara as coisas que podiam tê-lo denunciado, fizera um serviço limpo.
– Ele tirou fotografias, alguma vez, num fotógrafo profissional? – perguntei, um pouco antes de sairmos.
– Que eu saiba, não.
– Quer comunicar-nos o que souber ou ouvir… tudo que possa auxiliar-nos?
– Claro – disse ela, calorosamente. – Claro.
Eu e Dean descemos no elevador em silêncio, e encaminhámo-nos por Gough Street.
– Que pensa de tudo isto? – perguntei, quando chegámos cá fora.
– Ela é um anjo, não é? – E deu uma risadinha. – Fico a pensar até que ponto ela sabe o que aconteceu. Identificou o revólver e deu-nos aquela informação sobre a sentença por falsificação, mas de qualquer maneira, nós desobriríamos isso.
(…)


in “Quem matou Bob Teal?” de Dashiell Hammett
“26 grandes mestres da literaura policial, Ross Pynn antologia policial”, Editorial Ibis, Lda, Maio de 1963.


Fev 17 2010

Alberto García-Alix

Fotografia de Alberto García-Alix
Fotografia de Alberto García-Alix

“(…)
Fotografiar exige un paso al frente. Posicionarse frente a lo que se mira. También mirarse.
(…)”

in Una perpetua fuga, texto de Alberto García-Alix no jornal El País.


Fev 12 2010

Exposures

O blogue da Aperture Foundation:
Exposures blog


Jan 30 2010

Morte no Jardim de Inverno, Francis Lyall

“(…)
Na ponte, o fotógrafo parecia muito atarefado, às voltas com a sua Rolleiflex. Avançou, com passos ligeiros, para proceder a nova leitura no seu medidor e regressou ao local onde colocara o tripé para espreitar, mais uma vez, pelo óculo.
– Um pouco mais para cima, minha querida – exclamou, com voz algo esganiçada. – Tem de erguer o seu ramo um pouco mais para cima. E quero ver a cauda do vestido mais estendida à sua frente, como se a menina tivesse parado, e acabado de virar-se. E mostre-se magnífica, minha querida. Verdadeiramente magnífica! Estenda a cauda do vestido, por favor.
Fez sinal ao assistente, que se apressou a dar os últimos retoques.
– Agora, meus queridos – anunciou Antoine, com a sua voz efeminada – quero ver todos a sorrir!
E, para rematar aquela ordem, piscou o olho ao grupo.
(…)”

in “Morte no Jardim de Inverno” de Francis Lyall.
Título original: “Death in the Winter Garden”, tradução de Catarina Rocha Lima.
Capa: A. Pedro.
Colecção Vampiro, 623, Livros do Brasil


Jan 19 2010

Wilhelm Conrad Röntgen

Wilhelm Conrad Röntgen
Radiografia de Wilhelm Conrad Röntgen, 1896

Um vídeo da série Mechanical Icon, realizado por Marshall Poe, sobre uma radiografia feita por Wilhelm Conrad Röntgen.


“Mechanical Icon is an experiment in historical interpretation and dissemination. Its aim is to place iconic photographs in historical context by means of short videos. The director of the project is Marshall Poe. The assistant director is Chad Steffens.”


Jan 9 2010

Chema Madoz

“Chema Madoz Ilusionista y prestidigitador” – Txus Tejado

entrevista

Entrevista de Chema Madoz ao Canal Sur 2


Jan 6 2010

O Moleskine de Mary Ellen Mark


Mai 3 2009

País de Paisajes

Bernard Plossu - País de Paisajes
     Fotografia de Bernard Plossu

“El archivo de Huesca de Plossu relata la experiencia del viaje. El fotógrafo es muy consciente de que el paisaje que trata de capturar nada tiene que ver con distancias y medidas, sino con la práctica de andar y mirar, con el modo en que los elementos se relacionan entre sí, con el observador y con la experiencia del lugar. Su paisaje es subjetivo, a veces casi invisible, consecuencia de la experiencia paisajera.”

Exposição “País de Paisajes” de Bernard Plossu
no Centro de Arte y Naturaleza, Fundação Beulas, Huesca, Aragão, Espanha. Até 14 de Junho.

A exposição e o vídeo